ARTE COMO ATIVO FINANCEIRO


Obras de arte como opção de ativo financeiro. O artista plástico Rogério Reis comenta como o mercado de arte contemporânea pode ser um bom investimento

Ao contrário do que possa parecer, obra de arte não é somente distração de milionários. É possível adquirir uma singela escultura por menos de R$ 10 mil e multiplicar este valor no futuro. Tal notícia faz despertar o interesse dos brasileiros acostumados a investir seu dinheiro em fundos de investimento.

Na avaliação do artista plástico brasiliense Rogério Reis, o mercado de arte pode ser facilmente comparado com a bolsa de valores. “Em muitos lugares no mundo, as obras de arte são adquiridas como alternativa de investimento. Investe-se em uma carteira de artistas promissores aguardando sua futura valorização de mercado, do mesmo modo como ocorre com a bolsa de valores”, comenta.

Não à toa, os artistas mais valiosos e conceituados no mercado – são conhecidos como blue chips, em referência às ações mais pesadas da Bovespa. Exemplo disso é a tela da artista Beatriz Milhazes, que foi vendida este ano na SP Arte por R$ 16 milhões. “Imagine agora por quanto esta tela foi adquirida nos anos 90? É claro que não são todos os artistas que valem tanto, todavia, o investimento sempre compensa, sem falar no prazer pessoal e nos benefícios paralelos de possuir uma obra de arte em casa”, pondera o artista plástico.

Diferente do investimento em móveis de grife ou carros importados, que depreciam com o tempo, as obras de arte têm constante valorização. Rogério Reis lembra uma história contada por uma galerista no Rio. “Na década de 90, um investidor estava em dúvida sobre a aquisição de uma tela de Iberê Camargo ou um carro novo. Optou pelo carro. Em 2013 viu a mesma tela anunciada na Art Rio e comentou o ocorrido. O carro virou pó né? Pois então, disse a galerista, esta tela vale 1,5 milhão! ”, compartilha.

Ainda segundo Reis, “Nós percebemos dentro do Brasil muita gente investindo em obras de arte com excelente retorno. Em Brasília, acredito que seja uma questão de tempo para as pessoas despertarem para o que já acontece em outros centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo e mesmo Belo Horizonte”, diz.

Dicas de como ingressar no mercado de arte como investidor

– Para o investidor iniciante, é importante investir em educação, frequentar ateliês, galerias e feiras como ArtRio e SP Arte;
– Cuidado com lojas que se travestem de galerias e não tem compromisso com a evolução do artista. É o futuro do artista que vai valorizar seu ativo;
– Procure conhecer a história do artista, sua formação, currículo, exposições, principalmente a densidade do seu discurso na obra;
– Não se fie apenas pela questão financeira, adquira obras que atendam a seu gosto pessoal, afinal ela vai refletir sua persona e convívio diário;
– Fique atento para questões de governança do acervo, tal como a procedência da obra e sua declaração para fins de imposto de renda;
– Caso o proprietário da obra queira transmitir a obra de arte como herança, é necessário informar o bem como parte do patrimônio na declaração de IR, dando baixa na hora em que ocorre a venda ou doação;
– O preço de uma obra de arte não oscila bruscamente, ao contrário do que pode ocorrer com ativos financeiros de renda variável.

Sobre Rogério Reis

Rogério Reis é graduado pela Escola de Belas Artes da UFRJ e estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage com Daniel Senise, Fernando Cocchiaralle (curador do MAM), Nelson Leiner (Bienal de Veneza) e Charles Watson. Como artista plástico, desenvolveu o conceito das Morfoses, linguagem que se situa na fronteira entre arte, design e pensamento.

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