COLUNA E O SISTEMA NERVOSO


Ortopedista do Hospital Anchieta alerta sobre ficar muito tempo assentado. A coluna doente pode ameaçar o sistema nervoso e causar paralisias temporárias ou até permanentes.

Ficar muito tempo assentado, seja no escritório, no transporte público, no carro ou em casa pode trazer alguns prejuízos à saúde. Problemas na coluna e nas articulações dos braços e pernas são algumas das consequências. De acordo com o ortopedista e traumatologista do Hospital Anchieta, Maurício Resende, a posição assentada altera o eixo por onde passam as cargas normais na coluna, aumentando a pressão nos discos e favorecendo a ocorrência de microlesões.

“Se o assento não apresenta uma ergonomia adequada para a pessoa, uma região da coluna passa a ser afetada inicialmente, desencadeando dores e contraturas musculares. No decorrer do tempo, a dor pode ser estender para outras regiões”, explica Resende, especialista em cirurgia da Coluna Vertebral.

Estudos demonstram que as pessoas passam, em média, sete horas por dia assentadas. Ao longo do dia, concentradas em suas atividades, as pessoas deixam de prestar atenção aos sinais que o corpo envia, como pequenos desconfortos, que funcionam como alarmes indicando que a posição não está correta, e são de extrema importância pra proteção da coluna. Este hábito pode desencadear diversos problemas, como obesidade, doenças cardiovasculares e problemas na coluna ou demais articulações.

“Várias doenças podem aparecer após anos em má-postura, pois as microlesões são acumulativas e, ao longo do tempo, adoecendo posteriormente a estrutura de todo o segmento. Os ligamentos hipertrofiam (engrossam) e são tensionados por pontas ósseas (vulgarmente chamados de “bicos de papagaio”) que crescem nas juntas em resposta à instabilidade; os discos começam a funcionar mal e cedem, perdem altura, abaulam e começam a invadir o canal neurológico por onde passa a delicada ‘fiação’ que conecta o cérebro ao restante do corpo. A coluna doente passa de sustentadora e protetora do sistema nervoso, a ameaçadora do mesmo, podendo causar paralisias temporárias ou até permanentes. As pesquisam chegam a pontuar que pessoas que trabalham a maior parte do tempo assentadas chegam a ter o dobro de doenças graves na coluna”, alerta o médico.

Sintomas

O leque é amplo, pois a coluna tem ligação com todo o corpo humano. “Em geral, as dores se iniciam com leve intensidade na coluna, progridem em intensidade e podem irradiar para os braços e/ou pernas, associar-se a sensações estranhas como adormecimento, formigamentos e queimações e, o mais temido, levar a perda de controle das mãos, incapacidade de permanecer em pé por fraqueza das pernas e, raramente, perda de controle da urina e das fezes com grave incontinência e paraplegia”, explica o Dr. Maurício Resende.

Tratamento

O tratamento deve ser individualizado. Normalmente, quando a doença é abordada precocemente, os resultados são ótimos, com a maioria dos casos não necessitando ser abordada cirurgicamente. A recomendação é que se procure o especialista rapidamente assim que comecem os primeiros sintomas.

Dica

O mais importante é alterar as posições ao longo dia. Se for ficar muito tempo assentado, coloque um lembrete ou um alarme no celular, para avisá-lo. Levante-se para beber água e ir ao banheiro a cada 2 horas, para estimular a circulação sanguínea. Sempre que possível, troque o elevador pelas escadas, se alimente de forma saudável, saia do ambiente de trabalho na hora do almoço e aproveite este período para se “desligar” do trabalho, o que também melhora a produtividade. Prefira cadeiras que dispõem de várias regulações como altura (ideal é sempre apoiar os pés no chão), inclinações, apoios lombares, regulagem de altura do apoio dos braços.

“Assim como a coluna vertebral é um órgão habilitado com equilíbrio, nós também precisamos usar de equilíbrio na atenção com ela, evitando posições por períodos prolongados, evitando enfraquecimento dos músculos que agem nela, e, sobretudo, evitando persistir em posições que estejam causando dor. O maior perigo é a pessoa usar medicação para aliviar a dor e continuar forçando a coluna de forma incorreta, em más-posturas ou exercendo atividades que sabidamente sobrecarregam a coluna, como carregar pesos ou arrumar casas”, conclui o especialista.

Da Redação | Foto Divulgação
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