EU VOU PRO SAMBA


A Caixa Cultural abre alas para o projeto “Eu Vou pro Samba”, show inédito de João Bosco e Hamilton de Holanda, que chega à Capital de 29 de junho a 2 de julho.

O encontro de dois dos maiores nomes da música brasileira contemporânea dessa vez, literalmente, dá samba.

No palco, os artistas celebram o mais festejado ritmo brasileiro apresentando alguns de seus temas preferidos, em novos e personalizados arranjos que integram o violão e a voz de João com o bandolim de Hamilton. “Nação” e “Coisa feita”, entre outros sambas de João Bosco, ganham renovados contornos ao lado de composições de Ary Barroso (“Isso é Brasil”), Dorival Caymmi (“Milagre” e “Vatapá”) e outros tantos compositores que notoriamente contribuiram para esse gênero musical tão brasileiro e tão difundido no mundo.

O show é também uma comemoração especial para os músicos. João Bosco fez 70 anos. Hamilton de Holanda fez 40. Cada um a seu modo construiu uma vitoriosa carreira que, neste momento, conflui nos acordes do samba, em um lugar compartilhado: o palco. E o público como convidado dessa festa!

João Bosco

Filho de pai libanês, João Bosco começou a tocar violão aos doze anos, incentivado por uma família repleta de músicos. Suas primeiras influências foram Ângela Maria, Cauby Peixoto, Elvis Presley e Little Richard.

Alguns anos depois, iniciou na Escola de Minas em Ouro Preto cursando Engenharia Civil. Apesar de não deixar de lado os estudos, dedicava-se sobremaneira à carreira musical, influenciado principalmente por gêneros como jazz e bossa nova e pelo tropicalismo. Foi em Ouro Preto, em 1967, na casa do pintor Carlos Scliar, que conheceu Vinícius de Moraes, com o qual compôs as seguintes canções: rosa-dos-ventos, Samba do Pouso e O mergulhador – dentre outras.

Em 1970 conheceu aquele que viria a ser o mais frequente parceiro, com quem compôs mais de uma centena de canções: Aldir Blanc, O mestre sala dos mares, O bêbado e a equilibrista, Bala com bala, Kid cavaquinho, Caça à raposa, Falso brilhante, O rancho da goiabada, De frente pro crime, Fantasia, Bodas de prata, Latin Lover, O ronco da cuíca, Corsário, dentre muitas outras.

A primeira gravação saiu no disco de bolso do jornal O Pasquim: Agnus Sei (1972), que trazia no Lado A ninguém menos que Antonio Carlos Jobim, com “Águas de Março”. No ano seguinte, selou contrato com a gravadora RCA, lançando o primeiro disco, que levava apenas seu nome. Com Elis Regina – e sua incomparável capacidade de garimpar canções -, a dupla Bosco-Blanc ganhou notoriedade: “Bala com bala”, “Dois pra lá, dois pra cá”, “O mestre-sala dos mares”, “Caça à raposa” – registradas nos dois primeiros discos de João, de 1973 e 74, época em que se transferiu para o Rio de Janeiro – , foram algumas das que a cantora escolhera. Pouco tempo depois, ela cravou sua voz nas versões definitivas de “Transversal do Tempo”, em 1978, e de “O bêbado e a equilibrista”, em 1979.

O caldo da parceria engrossou com os passos seguintes: “Incompatibilidade de gênios”, “O ronco da cuíca”, “Falso brilhante”, “Bijouterias”, “Tiro de misericórdia”, “Linha de passe”, “Nação” e dezenas mais nasciam do trabalho com Aldir. Vieram novos parceiros e diferentes bordados: Capinam (“Papel marché”), Antonio Cícero e Waly Salomão (“Saída de emergência”, “Zona de fronteira”, “Memória da pele”), Abel Silva (“Quando o amor acontece”, “Desenho de giz”), Francisco Bosco, seu filho, poeta e ensaísta e talentoso letrista (“Benzetacil”, “Arpoador”, “As mil e uma aldeias”, “Eu não sei seu nome inteiro” e tantas outras).

Se compartilhar um disco com o ‘maestro soberano’ Tom Jobim poderia parecer intuitivo no início dos anos 1970, o dado hoje integra seu momento artístico. Seu atual momento enlaça obras de diversas fases de sua carreira e também ‘reverencia a tradição’, relembrando, por exemplo, o próprio Jobim, Paulinho da Viola, Noel Rosa, Moacir Santos.

Atualmente, após regressar de uma vitoriosa temporada de shows no Birdland, um dos templos do jazz em Nova York, finaliza um álbum de canções inéditas a ser lançado ainda em 2017.

Hamilton de Holanda

Virtuoso, brilhante e único são alguns dos adjetivos na vida deste músico, que contagia plateias em turnês por todo o mundo, construindo uma carreira de inúmeros prêmios. Aos 40 anos, 35 anos de música, carrega na bagagem a fusão do incentivo familiar com o Bacharelado em Composição pela Universidade de Brasília e a prática das rodas de choro e samba. Essa identidade o permite transitar com tranquilidade pelas mais diferentes formações (solo, duo, quarteto, quinteto, orquestra), consolidando, assim, uma maneira de expor ideias musicais e impressões sobre a vida com “o coração na ponta dos dedos.”

Hoje, 16 anos depois de adicionar duas cordas extras, 10 no total, reinventa o bandolim e liberta o emblemático instrumento brasileiro do legado de algumas de suas influências e gêneros. O aumento do número de cordas, aliado à velocidade de solos e improvisos, inspira uma nova geração a se aproximar do Bandolim e de conceber formações com uma nova instrumentação. Se é jazz, samba, rock, pop, lundu ou choro, não mais importa. Nos EUA, a imprensa logo o apelidou de “Jimmy Hendrix do bandolim”.

A busca de Hamilton não é pelo novo, e sim por uma música focada na beleza e na espontaneidade. Diante dele, existe um novo mundo cheio de possibilidades. Seu norte é “Moderno é Tradição”, e o importante não é passado, nem futuro, mas sim, a intercessão onde esses dois se confundem, a vida no momento presente, no “é”, no aqui e agora. Ao lado de seu empresário/parceiro artístico, Marcos Portinari, juntos nesses 11 anos, as ideias fervilham, fluem livremente, e os projetos não param. Há pouco mais de três anos, criaram o Baile do Almeidinha, gafieira contemporânea que traz no currículo cerca de 70 edições e mais de uma centena de convidados ilustres.

Hamilton é um músico de estilo único. Passeia por diversos gêneros tendo o bandolim como aglutinador de ideias. O choro é sua primeira referência, seu primeiro repertório era composto por músicas de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, entre outros. A atmosfera sem raízes na Brasília onde cresceu o fez se apropriar das mais diferentes tradições culturais com muito samba, frevo, bossa nova, entre outros… A Música Popular Brasileira é a sua matriz desde o início. A paixão e comprometimento com essa herança musical nacional é tão grande que, a partir de sua iniciativa, no ano 2000 foi criado o Dia Nacional do Choro, que é comemorado todo dia 23 de abril, data de nascimento de Pixinguinha.

Serviço

Eu Vou pro Samba – João Bosco e Hamilton de Holanda
De 29 de junho a 2 de julho
Quinta a Sábado, 20h. Domingo, 19h.

Local: CAIXA Cultural Brasília | Teatro da CAIXA
Endereço: SBS – Quadra 4 – Lotes 3/4
Telefone: 3206-9450
Classificação Indicativa: livre
Entrada: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Estudantes, professores, funcionários e clientes CAIXA, pessoas acima de 60 anos e doadores de 1 kg de alimento não perecível.
Lotação: 409
Acesso para pessoas com deficiência

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