SAI DA REDE


Um panorama com representantes das novas vertentes da música brasileira, que, através da internet, ganham o mundo e conquistam incontáveis de seguidores.

O Festival estreou em Brasília nas noites dos dias 25 e 26 de março, com quatro shows que lotaram o Teatro I do CCBB Brasília, e tem sequência neste fim de semana próximo com as apresentações de 13.7, de Chico Chico, filho de Cássia Eller, e Júlia Vargas, na noite do dia 8, e Ana Vilela e Rubel, no dia 9. Os artistas que sobem ao palco do Sai da Rede surfam com naturalidade através dos canais da internet e alcançaram reconhecimento ao fazerem uso das várias ferramentas e divulgação.

O Sai da Rede é, para muitos e em especial aos fãs, a oportunidade de conferir ao vivo, em um teatro com excelentes estruturas de som e de luz, performances de artistas que têm realizado uma produção plural. Uma geração que, por meio da música e da poesia, assim como de uma presença forte no palco, dá voz às discussões sobre empoderamento feminino, liberdade de gênero e luta pela igualdade social. Temas também trazidos à tona nas três edições anteriores do Festival, quando se apresentaram Tulipa Ruiz, Tiê, Marcelo Jeneci, Gaby Amarantos, João Brasil, Cícero e Baiana System.

Nesta 4ª Edição do “Sai da Rede” – Mahmundi, Rico Dalasam, Tássia Reis, Flora Matos, 13.7, Júlia Vargas, Ana Vilela e Rubel – criativos que compõem e interpretam seus trabalhos, registram suas produções em estúdios, por vezes montados em casa, porém, com equipamentos profissionais, o que para Pedro Seiler, um dos curadores do Festival, “se deve muito às facilidades de gravação, por conta das tecnologias avançadas e de baixo custo”. E, uma vez conectados e inseridos no imenso universo da internet, “há, entre eles, uma grande comunicação e, não raramente, tocam ou criam e compõem juntos, mesmo morando em diferentes cidades”, observa Pedro.

Programação:

A cantora, compositora, produtora e multinstrumentista Mahmundi abriu a programação do Festival (dia 25), quando apresentou parte do repertório de seu álbum de estreia, que leva o nome da artista. Disco produzido por ela e que conta com 10 canções de sua autoria. Na mesma noite, Rico Dalasam desfilou seus raps autorais, lançados em seu disco “Orgunga”. No domingo (dia 26), segundo dia do Festival, Tássia Reis mostrou sua uma potência criativa de convicções, registradas em seu discurso feminista e libertário, da intolerância à opressão emocional, em canções embaladas por sua voz doce. Em seguida, foi a vez da brasiliense Flora Matos. MC, que para André Maleronka, editor-chefe da Vice Brasil, “está entre os artistas mais interessantes que apareceram no país nos tempos recentes”.

O segundo fim de semana do Sai da Rede, começa com o grupo carioca 13.7, que tem como um de seus integrantes o filho de Cássia Eller, Chico Chico. O som do 13.7 traz influências do rock, blues, samba, vanguarda paulistana, Folk, MPB ou, como eles mesmos dizem: “de tudo que vem de onde não sabemos e ainda assim consegue fazer sentido, fazer sentir”. A segunda surpresa da noite está na versatilidade e na musicalidade de Júlia Vargas. Uma aposta de Milton Nascimento, “Júlia Vargas é dona de uma gloriosa voz. Nos últimos anos tenho visto poucas cantoras com tanto potencial como o da Júlia. Ela vai dar muito o que falar ”.

Para a noite de encerramento do Festival (dia 9), Ana Vilela, autora de “Trem-Bala”, que circula em milhares de celulares, através do aplicativo WhatsApp, e alcançou um sucesso impossível de se contar, ao ser interpretada por Gisele Bündchen. E para a despedida do Festival, o carioca Rubel, sucesso no Youtube, com mais de 3,6 milhões de visualizações, apresenta canções de seu álbum autoral e independente Pearl.

Serviço

Projeto: Festival “Sai da Rede
Local: Teatro I do CCBB Brasília
Endereço: SCES Trecho 2 – Brasília/DF
Programação:
25/3 – Sab: 20h – Mahmundi e Rico Dalasam
26/3 – Dom: 19h – Tássia Reis e Flora Matos
8/4 – Sab: 20h – 13.7 e Júlia Vargas
9/4 – Dom: 19h – Ana Vilela e Rubel
Classificação indicativa: Livres para todos os públicos.
Ingressos: R$ 10,00 (meia) e R$ 20,00 (inteira)
Os ingressos começam a ser vendidos dois domingos antes dos eventos da semana e podem ser adquiridos na bilheteria do CCBB, de quarta a segunda, das 13h às 21h, ou pelo site web.upingressos.com.br.
Informações: (61) 3108-7038.
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13.7

Os parceiros de banda e vida – Pedro Fonseca, no seu teclado incendiário, Miguel Dias, com o baixo de pulsar forte e que aponta os caminhos, as percussões furiosas de Lucas Videla e a dupla de vozes e violões João Mantuano e Chico Chico, mais um punhado de irresistíveis canções, se reconhece pelo curioso nome de “13.7”, cujas influências estão soltas por aí, no rock, no blues, na estrada, no samba, na vanguarda paulistana, na Bahia ou Pernambuco, no folk ou na MPB, numa esquina escura, no estilhaço do espelho, ou “em tudo que vem de onde não sabemos e ainda assim consegue fazer sentido, fazer sentir”, dizem os músicos.
Júlia Vargas, cantora e percussionista, dona da voz, (agora lançando o seu segundo disco de estúdio, o Pop Banana) já emplaca seu nome na cena musical carioca, está entre as cantoras da nova MPB de maior destaque do atual cenário musical.

Ivo Vargas, cantor e compositor, (inicia a gravação de seu primeiro disco, marco do começo de sua carreira como compositor) vem com uma bagagem da música de rua, sua verdadeira escola.

A parceria é da vida! Irmãos com o mesmo sonho, na mesma caminhada, resolvem se juntar para trazer ao palco a mesma energia que está presente nos encontros em família.
O show propõe muita musicalidade e versatilidade. Com canções que variam de estilos e propostas aproveitando bem a riqueza de repertório que os dois juntos já desenvolveram. Clássicos de grandes ícones da Música Popular Brasileira como Milton Nascimento, Rita Lee, Secos e Molhados, que caem como roupa sob medida nas vozes de Júlia e Ivo, além de cantarem composições de Ivo Vargas e músicas de amigos e parceiros como Claos Mózi, Chico Chico, Carlos Posada, entre outros.

“Júlia Vargas é dona de uma gloriosa voz. Nos últimos anos tenho visto poucas cantoras com tanto potencial como o da Júlia. Ela vai dar muito o que falar ”,
Milton Nascimento
“Júlia sabe se defender, a pesar da pouca idade. Indica, claro, uma maturidade precoce que lhe é muito útil já agora e será ainda mais no futuro. Minha cotação para ela (que já considero afilhada) é bonequinho em pé aplaudindo. Podem checar”,
Ivan Lins

A cantora e compositora Ana Vilela conquistou seus primeiros fãs por meio de sua composição “Trem-Bala”, que circula em milhares de celulares, através do aplicativo WhatsApp. Canção que chegou aos ouvidos de Gisele Bündchen. Encantada, a Uber Model gravou a música em um cenário paradisíaco o que rapidamente alçou um sucesso estrondoso, com milhões de visualizações e milhares de comentários.
Ana Iniciou seus dedilhados no violão aos 12 anos, porém, sua veia de compositora aflorou já aos 14. Ainda desconhecida em grandes palcos, ela tem seu público cativo em apresentações amadoras nos shoppings de Londrina, sua cidade natal, e teve a oportunidade de participar de um grande evento ao lado de outras bandas, também em Londrina.

Após o sucesso de sua música, Ana gravou uma participação especial no Programa Caldeirão do Huck, da TV Globo, o que lhe rendeu inúmeros outros convites para programas veiculados nacionalmente.

Rubel, por José Flávio Júnior
Sem padrinho famoso. Sem herdar público por ter pertencido a alguma banda renomada. Sem investimento de gravadora ou apoio da grande mídia. Como explicar o patamar atingido por Rubel e seu único álbum, Pearl, em 2016? A tarefa não é das mais simples, pois o cantor e compositor do Rio de Janeiro não protagonizou nenhuma das histórias mais comuns de início de carreira. E, hoje, aos 25 anos, ele é um dos nomes mais promissores da cena brasileira, capaz de reunir plateias de mil pessoas nas principais capitais do país, contando somente com o boca a boca na internet e, claro, a força de suas canções, que transitam entre o folk e a MPB.
Uma marca inegável de seu sucesso até aqui pode ser auferida no YouTube. Até o fim de agosto, o videoclipe para a música “Quando Bate Aquela Saudade”, dirigido por ele mesmo, contava com cerca de 3,6 milhões de visualizações. É verdade que quando o clipe foi para o ar, ainda em 2015, Rubel já havia se apresentado para mais de 700 pessoas numa terça-feira chuvosa no projeto Prata da Casa, do Sesc Pompeia, sob curadoria do produtor Carlos Eduardo Miranda. Ou seja, ele já era um fenômeno. Mas “Quando Bate Aquela Saudade” confirmou o movimento.

Acontece que a romântica faixa não resume Pearl, mais triste e contemplativo do que ela. Lançado na internet oficialmente – e despretensiosamente – em 2013, o trabalho reúne sete composições e tem a duração de discos clássicos dos anos 70. Todo acústico, é guiado por violão, bandolim, banjo e acordeão, e foi gravado num home studio em Austin, Texas. Rubel acredita não ter gastado nem 300 dólares no processo todo. À época, ele concluía seus estudos de cinema, sua outra paixão. Após colocar o filho no mundo, partiu novamente para os Estados Unidos para trabalhar com a sétima arte e observou o álbum lentamente cair no gosto dos fãs. Rolou uma identificação com aquelas letras tão pessoais, com aquela sonoridade singela, delicada.

De volta ao Rio de vez, Rubel montou uma banda para verdadeiramente trabalhar Pearl ao vivo. E aí o registro ganhou um novo punch, com Rubel caindo na estrada acompanhado por violão, banjo, acordeão, guitarra, bateria, trompete, baixo acústico e teclado. Além de executar os sete temas de Pearl, ele adicionou ao repertório as inéditas “Partilhar” (cuja performance no Sofar Sounds acabou se tornando a mais assistida da série – confira no YouTube) e “Mantra”. Dependendo da noite, versões de “Esotérico” (Gilberto Gil) e “Tocando em Frente” (Renato Teixeira) ganham o setlist.

Caetano Veloso, Jorge Ben Jor, Bob Dylan, Bon Iver e Fleet Foxes são outros artistas que fascinam Rubel, o que só reforça que ele se sente mais confortável no terreno da MPB clássica e do folk rock – tanto tradicional quanto contemporâneo. Mas o segundo disco poderá trazer surpresas. Já em fase de concepção, Rubel prevê que o sucessor de Pearl chegue ao mercado no primeiro semestre de 2017.

Só que seu álbum de estreia ainda tem muito para dar. O músico segue na estrada com sua banda, agora com o suporte da Agência de Música (Mallu Magalhães, Marcelo Camelo, Banda do Mar, Filipe Catto), e finaliza o videoclipe em animação para a faixa “Ben”, que não foi escrita para o ídolo Jorge, mas para o sobrinho de mesmo nome. Já “O Velho e o Mar” ganhou clipe no meio do ano e, em dois meses, ultrapassou a marca de 100 mil visualizações.

Vale dizer ainda que Rubel também dirige clipes para outros artistas (fez o de “O Peso do Meu Coração”, do cantor e compositor carioca Qinho) e já escreveu e dirigiu dois curtas, sendo um documentário e outro de ficção. Um talento em plena ebulição, portanto. E agora não mais restrito ao boca a boca da internet.

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