AINDA DÁ TEMPO


CAIXA Cultural Brasília apresenta até 28 de maio a obra do pintor e escultor Rubem Valentim. A mostra traça um panorama da produção de um dos maiores expoentes da cultura afro-brasileira no Brasil

Em cartaz na Galeria Vitrine da CAIXA Cultural Brasília até 28 de maio – “Rubem Valentim – Construção e Fé”. Com curadoria de Marcus de Lontra Costa, a mostra revela ao público um rico panorama do trabalho do pintor e escultor baiano e sua inserção na arte nacional e internacional, privilegiando a produção pictórica e escultórica do artista com obras disponibilizadas de coleções públicas, particulares e dos herdeiros do artista.

Suas obras sintetizam em formas geométricas as simbologias místicas de matriz africana e se destacam na arte moderna construtivista e concretista brasileira. Um artista vanguardista que, ao residir em Brasília no fim da década de 1960, incorpora de forma única a tridimensionalidade à sua obra. Serão apresentados cerca de 60 trabalhos, entre pinturas, relevos e esculturas, que mapeiam sua trajetória artística com ênfase na produção realizada em Brasília. Um recorte inédito que resgata a negritude de sua arte e destaca a maturidade estética alcançada no período em que viveu na capital.

A exposição é um momento de consagração e valorização da questão negra na obra do artista, em uma luta de resistência contra os padrões estéticos vindos de fora. Reelaborando o pensamento construtivista, Valentim passou a empregar signos inspirando-se nas ferramentas e nos instrumentos simbólicos do candomblé, sintetizando-os nas formas geométricas. Para o crítico italiano Giulio Carlo Argan, a arte do brasileiro correspondia a uma “recordação inconsciente de uma grande e luminosa civilização negra anterior às conquistas ocidentais”.

Outra vertente da exposição são as obras produzidas no período em que o artista viveu em Brasília. “É onde Rubem Valentim adquire mais maturidade, influenciado pela monumentalidade da cidade, o cerrado, e a obra de Oscar Niemeyer”, afirma Marcus Lontra. Impactado pela espacialidade característica da cidade, para onde se mudou na década de 1960, Valentim sentiu a necessidade de recortar, do suporte bidimensional da pintura, seus símbolos e signos, concedendo-lhes a vida autônoma de objetos tridimensionais. Assim sua pintura transformou-se em esculturas e objetos: totens, altares e estandartes marcados por uma grave e mística religiosidade de matriz africana.

É dessa época o mural de mármore feito para o edifício-sede da Novacap, considerado sua primeira obra pública. Em São Paulo, realizou a escultura de concreto instalada na Praça da Sé, um marco histórico na cidade. Reproduções dessas obras públicas tridimensionais fazem parte também da exposição.

Há 20 anos sem uma mostra dedicada exclusivamente a sua obra, a exposição resgata para o público a produção de um artista que contribuiu de forma decisiva para a história da arte brasileira e agregou valores internacionais e da cultura afro-brasileira na construção das questões vanguardistas presentes no século XX.

Para Valentim, “a arte é um produto poético, cuja existência desafia o tempo e por isto liberta o homem. Isto me afeta porque sou o indivíduo tremendamente inquieto e substancialmente emotivo”. Por trás das figuras emblemáticas da pintura e escultura deste “monge do candomblé”, há um mundo de inquietações, revoltas e angústias. O público é convidado portanto a participar de um ritual, olhar estes símbolos de contornos rigorosos, e mergulhar no universo pictórico e emotivo do artista com profundidade, distância e tranquilidade.

Serviço

Exposição: “Rubem Valentim – Construção e Fé”
Local: CAIXA Cultural Brasília – Galeria Vitrine
Endereço: SBS Quadra 4, Lotes 3/4 – Edifício Anexo à Matriz da CAIXA
Visitação: até 28 de maio de 2017, de terça-feira a domingo, das 9h às 21h
Informações: (61) 3206-9448 e (61) 3206-9449 www.caixacultural.com.br
Classificação indicativa: Livre para todos os públicos
Entrada franca

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