Cenário atual prejudica desempenho de funcionários com a doença; psicóloga dá dicas para lidar com problema

Em 2017, a taxa média de desemprego anual chegou a 12,7%, a mais alta desde que o índice começou a ser medido pelo IBGE, em 2012. Se a notícia já é ruim por si só, soa ainda pior para os 11,5 milhões de brasileiros que sofrem com depressão, segundo dados da OMS. A avaliação é da psicóloga clínica Beatriz Brandão (www.beatrizbrandao.com), que chama atenção para o fato da queda de produtividade causada pela doença poder aumentar as chances de perder o emprego.

Enquanto as incertezas políticas relacionadas à economia e segurança pública afetam mais pessoas que sofrem com picos de ansiedade e ataques de pânico, Beatriz explica que o contexto da alta no desemprego reforça a sensação dos depressivos de incapacidade e impossibilidade de melhorar a própria vida. “Ele começa a perder o interesse pelas atividades obrigatórias, depois as prazerosas, e se isola por completo, o que pode fazer com que seja demitido. Ele simplesmente vai perdendo a força de fazer as coisas habituais, deixa de cumprir prazos, começa a cometer erros e assim por diante”, diz a psicóloga, que convive com a doença desde a adolescência e a mantém sob controle há dez anos.

Para Beatriz, alguns cuidados podem ajudar a evitar que isso aconteça. O primeiro deles é explicar o que está acontecendo para os círculos de amizade e familiar, assim como ter uma conversa franca com os gestores para que haja mais paciência e compreensão com a mudança nas atividades. “Há pessoas que têm medo de fazer isso, mas o maior índice de depressão no trabalho é entre executivos, então existem grandes chances de haver uma boa receptividade”, afirma a psicóloga.

Por fim, é necessário buscar ajuda especializada. Isso envolve tratamento com psicoterapia e, em casos mais graves, psiquiatras, assim como o uso de medicação. “Para quem tem renda mínima, há instituições e profissionais que fazem atendimentos com valores sociais e até mesmo de graça. Para isso, é feito uma triagem para comprovar a incapacidade de pagar os valores do mercado”, conta Beatriz. Em seu site, a psicóloga lista alguns desses locais.

De volta ao trabalho

“Caso um depressivo perca o trabalho, ele precisa se reestruturar antes de sair em busca de um novo, caso contrário as negativas vão apenas piorar seu estado ainda mais”, conta Beatriz. Para ela, são cinco os passos para voltar ao trabalho: 1) admitir que tem um problema e entender que a situação não vai melhorar por si só; 2) mudar os hábitos de rotina, sono, alimentação e atividade física; 3) buscar um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento; 4) conversar com as pessoas ao redor sobre o que está sentindo e 5) traçar uma estratégia para que eventuais percalços não causem uma recaída.

Sobre Beatriz Brandão

Psicóloga clínica em São Paulo, atua com transtornos e questões comportamentais. Focada no atendimento a adultos, Beatriz veio de uma vivência de 10 anos na área de recursos humanos. www.beatrizbrandao.com.

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