DICIONÁRIO DE ALEXANDRE RIBONDI


Espetáculo “Dicionário” inaugura o novo teatro Casa dos Quatro em Brasília. Montagem acadêmica tem texto e direção de Alexandre Ribondi e apresenta dores e riquezas e amores de uma mente senil

“Pode parecer que uma pessoa não te ama. Mas se você encostar seu ouvido na boca dela, vai perceber que lá no fundo, bem baixinho, como um segredo bem guardado, ela está dizendo o tempo todo: eu te amo”. Esta é apenas uma das muitas reflexões despertadas nos diálogos da peça “Dicionário das Coisas Que Nunca Existiram”, que entra em cartaz em 1º de setembro. Um momento de lucidez de uma mente senil, que ao longo da peça se alterna com outros, cheios de senilidade na lucidez. O diálogo é entre Carlos e Irene, pessoas em diferentes fases da vida, que se revelam e se descobrem a partir dessa alternância. É este o espetáculo que abre as portas da Casa dos Quatro, novo teatro de Brasília, na rua mais promissora das artes brasilienses – a Rua das Oficinas.

Em cena, as revelações de uma fotojornalista de guerra aposentada aos 75 anos, agora presa nos delírios de uma mente que pode estar acometida pela demência senil ou pelo mal de Alzheimer – o que pouco importa. Em jogo, a capacidade de lembrar de traumas e dores com inocência e pela tristeza de quem se esquece de pessoas importantes. Em contraponto, Carlos. Aos 35 anos, marcados pela sisudez e sobriedade, escolhidas conscientemente para se autoproteger das inconstâncias da vida dessa mulher. A relação entre os dois é um dos muitos mistérios e segredos revelados no espetáculo. E o encontro, provocado pela necessidade de o homem conduzir a mulher a um asilo, termina por transformar a vida dos dois.

“A personagem de Irene parece, um pouco ou muito, com todas as mães. Ou pelo menos com as mães que amam. Então, Irene é puro amor. Um amor ou reconfortante ou monstruoso. Ou destrutivo ou construtivo. Ou sufocante ou cheio de ar”, diz Alexandre Ribondi, o autor e diretor do espetáculo. O elenco tem Helen Cris e Morillo Carvalho, dois atores em formação. Os ensaios duraram cinco meses, na própria Casa dos Quatro, e fazem parte do projeto de extensão da Oficina do Ribondi, espaço de aulas regulares de formação teatral ministrado pelo diretor há cinco anos.

Apesar de contar um drama, Dicionário rende ótimos momentos de leveza e riso. Tem classificação indicativa de 12 anos e espera que a transformação não ocorra apenas com as personagens, mas com o público. “Não há nada mais imprevisível que o público, assim como são imprevisíveis as reações de quem vê uma tragédia de perto ou ouve uma revelação. Mas acredito que o espetáculo pode levar a pensar nos estranhos, e às vezes obscuros, caminhos do amor”, resume Ribondi.

DRAMA

CLASSIFICAÇÃO: 12 anos

FICHA TÉCNICA

Texto e direção: Alexandre Ribondi
Elenco: Helen Cris e Morillo Carvalho
Concepção de luz e cenário: Alexandre Ribondi, Morillo Carvalho e Thays Elinne
Operação de luz e som: Thays Elinne
Arte Gráfica e Fotos de Divulgação: Elisa Mattos
Audiovisual: Danilton Portela
Assessoria de imprensa: Morillo Carvalho
Produção: Desvio Produções Culturais
Contato: (61)98425-6885/Elisa Mattos

SERVIÇO

Espetáculo “Dicionário das Coisas Que Nunca Existiram”
Local: Casa dos Quatro – 708 Norte, Bloco F Loja 42 – Rua das Oficinas
Data e hora: 01 a 03 e 08 a 10 de setembro de 2017 (sempre às 20h)
Ingressos: R$30 (inteira), R$15 (meia)

Anterior
Próximo MOSTRA DE CURTAS NO CCBB