MOBILIDADE URBANA EM PRÁTICA


Imagine um local harmonioso, onde é possível circular carro, carrinho de bebê, bicicleta, pedestre e onde todas as formas de locomoção são sinalizadas e respeitadas? Imaginou? Então, é assim que acontece, por exemplo, em Genebra na Suíça. O sistema de ciclofaixas não foi construído como uma alternativa às estradas e sim está incluída e integrada àelas. Uma enorme malha viária acolhe todo tipo de locomoção, principalmente as feitas de bicicletas, tornando assim um dos melhores lugares de se viver no mundo. A saúde, a locomoção, a qualidade de vida são colocadas em primeiro plano, enquanto no Brasil, o caminho ainda é longo.

Em meio à crescente frota de automóveis, as bicicletas ainda procuram espaço. Dados publicados pela Universidade de São Paulo (UPS), mostram que no Brasil existem 1.118 Km de ciclovias nas capitais do país, o que isso não significa nem 1% do total da malha viária distribuída. O número é preocupante, mas as possibilidades ainda existem e vontade de fazer e repensar a cidade também.

Em 2012, foi criada a Lei 12.587 conhecida como Política Nacional de Mobilidade Urbana, que determina aos municípios a tarefa de planejar e executar políticas de mobilidade urbana e enfrentar o desafio de apresentar soluções para o tráfego de 3,5 milhões de novos veículos que, a cada ano, passam a circular pelas vias urbanas do país, além da frota atual de 75 milhões.

Águas Claras

No Distrito Federal foi pensado o projeto Mobilidade Ativa, que coloca a Política Nacional de Mobilidade Urbana em prática, dando prioridade para o deslocamento de pedestres e ciclistas, facilitando o acesso ao transporte coletivo dentro dos bairros.

O projeto, foi proposto pela Secretaria de Estado e Gestão do Território e Habitação (SEGETH/GDF), que pensou em Águas Claras como cidade modelo, valorizando outros tipos de transporte e a utilização do metrô (meio muito utilizado, que perpassa por toda cidade).

O projeto proposto pretende criar ciclofaixas que abrangem as avenidas Araucárias e Castanheiras e também as avenidas conhecidas como Boulevares (paralelas ao metrô). Serão criadas ciclofaixas sinalizadas e com pintura de vermelho em todo o percurso, divididas por tachões de trânsito.

O número de faixas de automóveis não será reduzido, continuando com três pistas e criado um espaço para a circulação de ciclistas. De acordo com Mayara Mitsuka, da engenharia do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (DETRAN), o projeto é viável e não interfere no fluxo dos automóveis “Foi realizado uma vistoria técnica para verificar a possibilidade da ciclofaixa e detectamos ser possível, uma vez que as ciclofaixas atingem em média 1,2m e não vai afetar carros e nem calçadas”.

O estudo que deu a estrutura para o projeto partiu da análise da área de alcance para 5, 10 e 15 minutos de deslocamento a pé e em bicicleta a partir das estações de metrô e dos pólos geradores de tráfego de Águas Claras, revelando que com as ciclofaixas será possível um deslocamento rápido e efetivo por diversas áreas da cidade.

Mateus Baruci, 24 anos, é ciclista e mora na cidade à sete anos, conta que tem esperança na implantação do projeto “Águas claras tem potencial para ser um lugar bom de se pedalar, mas por enquanto falta infraestrutura e conscientização dos veículos auto motores, que nos vêem como errados por estar na pista, o projeto está muito bem feito, não reduz o número de faixas, apenas estreita em alguns centímetros cada faixa nas avenidas principais (que na antiga configuração de mão dupla já aceitava 4 faixas em cada avenida), mas a longo prazo os frutos vão valer apena.

Assim como valeu em demais cidades brasileiras e mundiais. Pensar no futuro é difícil numa sociedade cada vez mais imediatista e individualista, mas quem consegue pensar além entende a necessidade da reconfiguração da nossa lógica de transporte”.

A previsão para o término do projeto é para este ano.

Por Fernanda Sá | Foto Alex Monteiro
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