PIANISTA NO CLUBE DO CHORO


Juliano Goulart lança segundo álbum “Vias Tortas” no Clube do Choro, show dia 27 de junho, às 21h. As músicas serão disponibilizadas na internet

O Clube do Choro de Brasília será palco para o lançamento do segundo álbum “Vias Tortas” do compositor e pianista, Juliano Goulart, no dia 27 de junho, às 21h. No trabalho, Goulart apresenta um compilado de nove músicas criadas ao longo de uma década depois do lançamento do primeiro CD “Vontade Sol”, em 2005. São composições ricas em referências e linguagens musicais, o que representa uma das características da nossa capital e de sua produção musical: a sua pluralidade. “Não preestabeleço nada ao compor, gosto de me deixar levar a cada nota, sílaba ou frase sem saber direito que estilo é, nem se fará sentido com o que está por vir, confiante em que no primeiro passo já possa estar contida a canção em sua totalidade. Não resolvo ‘vou compor um samba.’ Resolvo compor e só depois reconheço algo de samba ou o que seja. Como sempre ouvi de tudo, o que resulta é sempre bem-vindo”, explica Juliano.

Na empreitada, o pianista não está sozinho. Ao contrário do primeiro trabalho, no qual o piano prevalecia sem banda, em “Vias Tortas” Goulart é acompanhado por uma banda formada por músicos consagrados, como Oswaldo Amorim (baixo acústico), Ted Falcon (violino), André Togni (bateria), Paulo André Tavares (guitarra e violão) e os convidados Moisés Alves (trompete), Adil Silva (trombone) e Kris Maciel (cantora).

O título do novo trabalho representa bem a forma como foi concebido e a forma que o compositor foi achando de produzir algo que não se limitasse a apenas uma linha determinada. Diferentemente do que geralmente ocorre nas gravações de discos, quando a banda acompanha o músico principal através de arranjos definidos pelo compositor ou arranjador – ‘Vontade sol’ foi quase todo arranjado por Juliano – , em “Vias Tortas”, o pianista fez questão de dar espaço aos músicos para imprimirem suas visões e experiências sonoras nas canções. O resultado é uma coletânea de aventuras musicais com potencial de nos levar a lugares já conhecidos, mas com outros sabores, e a outros nem tão conhecidos, o que nos leva a ter de criar a paisagem sonora e poética conforme a música vai acontecendo.

O álbum traz faixas com pegadas pop, jazz, soul, valsa, samba, música latina, progressivo, tudo bem eclético, assim como o gosto musical de Juliano. Na faixa “Nenhum Laço” há uma influência da musicalidade do guitarrista e compositor norte-americano Curtis Mayfield, sugerida pela linha de baixo criada por Oswaldo Amorim que trouxe o suingue à tona, remetendo ao som dos anos 60. Já a canção “Primavera” foi a única composta em parceria. A letra é de Laura Moreira, com música de Juliano. Nela, pode-se notar a influência harmônica e melódica do Clube da Esquina. A faixa “Ilumina-te” talvez seja a mais diferente do novo trabalho do pianista. “Meio progressiva, meio fusion, meio Arrigo Barnabé…”, nas palavras de Goulart. Sua sonoridade passa pelo jazz, pela world music contemporânea acentuada pelo violino, com levada latina no baixo acústico. A letra é um diferencial: praticamente toda no imperativo, um convite à auto superação. Em “Assim eu vou”, o pianista faz uma declaração de amor à música, com um samba mais popular.

Na ocasião também será lançado o site www.julianogoulart.com.br/viastortas, onde as faixas do novo trabalho estarão disponibilizadas. O projeto é uma produção executiva da Beco da Coruja Produções Culturais, com o patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal – FAC/DF.

Sobre o músico

Quando se trata de música, Juliano Goulart é um inquieto. Pianista erudito, toca violão, guitarra e baixo, desde os 11 anos de idade, Compõe músicas com letras ou instrumentais, populares e eruditas, além de trilhas para o teatro e o cinema. O virtuosismo é movido pela paixão em fazer música. Seu interesse eclético inclui J. S. Bach, H. Villa-Lobos, A. Scriabin, passando por Duke Ellington, T. Monk, Jimi Hendrix, Pixinguinha, Tom Jobim, Cassiano, Tom Waits, Leonard Cohen, Astor Piazzolla – para citar alguns. Essa indefinição por um único estilo musical que, segundo Juliano, “aparentemente atrapalha profissionalmente”, foi o que deu qualidade às suas composições, que podem ser caracterizadas por liberdade de expressão e variedade de gostos. “Não sou um compositor mental, sou intuitivo”, define.

Apesar de sua formação e estudos clássicos, Juliano carrega uma bagagem musical marcada pela experimentação de sonoridades e estilos. No início dos anos 90, o pianista fez parte de uma das bandas mais representativas da época, Akneton, inicialmente como guitarrista, tecladista e cantor, depois como baixista. Naquela época, Akneton era uma banda de rock diferente em Brasília, a terceira geração do rock brasiliense. Havia muito virtuosismo entre os músicos, o que lhes deixavam à vontade para misturar funk, rock, entre outras vertentes, além de uma grande presença no palco. “Foi uma experiência que acrescentou muito no pensar os arranjos, sobretudo as linhas do baixo”, recorda Juliano.

Em 2005, o músico foi um dos fundadores da banda cover Salve Jorge assumindo o baixo elétrico. Em 2007, foi a vez da Soul Jobim, como cantor e violonista, ao lado da cantora Kris Maciel, do baixista Oswaldo Amorim, do baterista Thiago Cunha dentre outros, um trabalho onde “modernizou” Tom Jobim com grooves desde maracatu, reggae, à soul music.

No teatro, Juliano fez trilhas para o Grupo SESC de Pesquisa Cênica por alguns anos, dirigido pelo ator e diretor Rogero Torquato: “O julgamento do macaco”, “O rei da vela”, “Beijamim, o palhaço brasileiro”, “A infidelidade ao alcance de todos” são os nomes de algumas dessas peças. No cinema, o músico participou do filme “À espera de Liz”, 2015, primeiro longa-metragem do brasiliense Bruno Torres.

Serviço

Show de lançamento do álbum “Vias Tortas”, de Juliano Goulart
Data: 27 de junho
Horário: 21h
Local: Clube do Choro, Setor de Divulgação Cultural, Bloco G – Eixo Monumental
Telefone: (61) 3224-0599
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) na bilheteria do Clube do Choro ou pelo site www.bilheteriadigital.com.br
CI: 14 anos

Da Redação | Fotos Patrick Grosner
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